
Tarcísio de Freitas disse que a prioridade agora é a gestão de São Paulo, mas poderá disputar a presidência
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu que poderá disputar a Presidência da República nas eleições de 2030. A possibilidade foi mencionada durante uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, concedida na quarta-feira, 28 de outubro, e publicada no dia seguinte. Apesar de reconhecer que uma candidatura nacional poderá entrar em seus planos, o governador afirmou que pretende priorizar a administração paulista nos próximos anos.
Tarcísio explicou que uma eventual entrada na disputa pelo Palácio do Planalto dependerá do cenário político e, principalmente, da avaliação de seu segundo mandato à frente do governo estadual. Segundo ele, caso consiga concluir a gestão com bons resultados, uma candidatura presidencial poderá se tornar uma possibilidade. O governador também ressaltou que uma decisão dessa dimensão deverá ser tomada coletivamente, e não apenas por iniciativa individual.
A declaração foi feita em um momento de mudanças no cenário político nacional, após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. O senador deixou o Brasil e passou a afirmar que pretende liderar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos. Nesse contexto, a manifestação de Tarcísio sobre 2030 ganhou importância porque colocou o governador entre os nomes que poderão disputar espaço na direita nos próximos anos.
Tarcísio condiciona candidatura presidencial ao desempenho em São Paulo
Durante a entrevista, Tarcísio afirmou que ainda será necessário observar as circunstâncias políticas existentes quando a próxima eleição presidencial se aproximar. O governador destacou que estará encerrando seu segundo mandato em São Paulo em 2030 e que o desempenho da administração poderá abrir caminhos para uma candidatura nacional. Ao mesmo tempo, deixou claro que não considera a disputa presidencial uma decisão já tomada.
“A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo”, afirmou Tarcísio. Em seguida, acrescentou que terminar bem a gestão abriria uma possibilidade de disputar a Presidência, mas que a decisão precisaria ser avaliada em grupo. A declaração representa um reconhecimento público de que o Palácio do Planalto poderá fazer parte de seus planos políticos futuros.
O governador também afirmou que sua prioridade imediata é cumprir os compromissos assumidos com a população paulista. Ele mencionou a importância de realizar uma administração com entregas, obras e resultados que possam produzir efeitos concretos na vida dos moradores do estado. Ao comentar a possibilidade de disputar a eleição nacional, resumiu sua posição dizendo que 2030 seria “outra conversa”, indicando que não pretende antecipar uma decisão definitiva.
Governador revela conselho dado a Flávio Bolsonaro após derrota eleitoral
Outro assunto abordado na entrevista foi a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil depois de perder a eleição presidencial para Lula. Tarcísio afirmou que participou das conversas realizadas com integrantes da campanha do senador e que o conselho dado por ele, pelos advogados e pelo senador Rogério Marinho foi para que Flávio permanecesse no país. O governador, entretanto, declarou que não pretendia julgar a decisão tomada pelo parlamentar, considerando as circunstâncias pessoais e políticas envolvendo sua família.
Segundo Tarcísio, uma reunião entre Flávio e integrantes da campanha ocorreu na segunda-feira, 26 de outubro, um dia depois da divulgação do resultado eleitoral. Durante o encontro, foram discutidas as manifestações públicas que seriam feitas pelo senador e as medidas jurídicas que poderiam ser adotadas diante das acusações de irregularidades na campanha adversária. O governador explicou que a orientação foi utilizar os instrumentos previstos na legislação eleitoral para questionar o resultado, caso fossem identificados elementos que justificassem uma ação na Justiça.
Tarcísio também relatou que aconselhou Flávio a não afirmar que deixaria de reconhecer o resultado das urnas. Na avaliação apresentada durante a entrevista, eventuais questionamentos sobre abuso de poder político e econômico deveriam ser encaminhados por meio de ações judiciais, incluindo pedidos de investigação e eventual cassação da chapa adversária. O governador afirmou que esse foi o caminho recomendado na reunião, mas Flávio acabou deixando o país nos dias seguintes.
Saída de Flávio do Brasil amplia repercussão política
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu depois de uma sequência de declarações sobre o resultado eleitoral e de uma determinação judicial relacionada à entrega de seus passaportes. Em 26 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse voluntariamente os documentos no prazo estabelecido, diante da possibilidade de deixar o território brasileiro. Flávio contestou a medida e afirmou inicialmente que não pretendia abandonar o país nem o eleitorado que havia apoiado sua candidatura.
O senador, porém, viajou para os Estados Unidos acompanhado da família entre a noite de 27 de outubro e a manhã do dia 28. Segundo as informações publicadas pelo iG, o deslocamento começou pela fronteira com a Argentina e seguiu em um jato particular, com escala no Equador, antes de chegar à região de Miami. A viagem e as declarações feitas posteriormente pelo parlamentar provocaram repercussão entre integrantes do próprio campo político que havia apoiado sua candidatura.
Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e afirmou que passaria a liderar a oposição ao governo Lula. Posteriormente, o texto foi alterado, e a expressão utilizada para se referir a si próprio passou a ser “líder brasileiro”. Enquanto o senador promete manter sua atuação política no exterior, Tarcísio afirma que pretende concentrar seus esforços na administração de São Paulo, mas reconhece que uma candidatura presidencial em 2030 poderá ser considerada.





